Há estratégias de Marketing Digital que não deixaram de funcionar, o problema é continuarem a ser utilizadas como se estivéssemos em 2020.


O SEO continua importante, o e-mail continua relevante, as redes sociais continuam a gerar resultados e os anúncios continuam a vender, mas a forma como as pessoas pesquisam, descobrem marcas, consomem conteúdos e tomam decisões mudou bastante.

A Inteligência Artificial entrou definitivamente no Marketing, a pesquisa já não se resume a uma lista tradicional de resultados e produzir conteúdo tornou-se muito mais fácil, ao mesmo tempo que conquistar atenção ficou mais difícil.

Em 2026, talvez a questão já não seja simplesmente quais ferramentas utilizar, mas perceber se estamos a utilizá-las da forma certa.

1. Fazer SEO apenas para “aparecer em primeiro no Google”

Durante muito tempo, SEO parecia seguir uma fórmula relativamente simples: escolher palavras-chave, escrever um artigo e tentar chegar às primeiras posições.

As palavras-chave continuam a ser importantes, mas já não contam toda a história, uma vez que o Google integra atualmente experiências como AI Overviews e AI Mode, através das quais o utilizador pode obter respostas mais completas e explorar diferentes fontes sem seguir exatamente o percurso tradicional de pesquisa.

As próprias orientações do Google mantêm as boas práticas de SEO, mas reforçam a importância de conteúdo útil, original, fiável e criado prioritariamente para pessoas.

Em 2026, fazer SEO significa também perceber se o conteúdo responde realmente à dúvida de quem pesquisa, se acrescenta algo diferente, se demonstra conhecimento sobre o tema, se é suficientemente claro para ser compreendido rapidamente e se contém informação que vale a pena citar, guardar ou partilhar.

A palavra-chave pode trazer a pessoa até ao conteúdo, mas é o valor desse conteúdo que determina se valeu a pena chegar até ele.

2. Produzir muito conteúdo só porque a IA tornou isso fácil

Antes, produzir dez artigos podia ocupar vários dias, hoje uma ferramenta de Inteligência Artificial consegue gerar dezenas em poucos minutos, mas capacidade de produção não significa necessariamente qualidade.

O Google continua a recomendar conteúdo criado essencialmente para ajudar pessoas e alerta para a produção em escala quando o principal objetivo é captar tráfego ou manipular classificações sem acrescentar valor real.

Existe ainda outro problema: se várias empresas utilizarem ferramentas semelhantes para produzir os mesmos artigos, com os mesmos títulos e os mesmos argumentos, rapidamente teremos centenas de páginas a dizer praticamente a mesma coisa.

Num estudo global realizado em 2026 junto de mais de 1.500 profissionais de marketing, 62,7% consideraram necessário produzir conteúdo mais único e centrado nas pessoas para competir num ambiente cada vez mais preenchido por conteúdos gerados por IA.

A Inteligência Artificial pode ajudar na pesquisa, organização de ideias, estruturação de conteúdos e aceleração de determinadas tarefas, mas a vantagem já não está simplesmente em usar IA, está em conseguir acrescentar experiência, opinião fundamentada, conhecimento especializado, exemplos reais e uma identidade própria.

3. Publicar exatamente o mesmo conteúdo em todas as redes sociais

Criou uma publicação para Instagram, copia para Facebook, cola no LinkedIn e publica o mesmo vídeo em todas as plataformas.

Tecnicamente, a empresa esteve presente em várias redes, mas estrategicamente pode ter apenas repetido a mesma mensagem.

Cada plataforma tem públicos, formatos, ritmos e comportamentos diferentes, por isso aquilo que funciona num canal não tem necessariamente de ser apresentado da mesma maneira noutro.

Um estudo sobre tendências de Marketing em 2026 encontrou uma divisão interessante: 49,4% das equipas reutilizam o mesmo conteúdo entre plataformas, enquanto 39,5% afirmam adaptar os conteúdos especificamente a cada canal.

E aqui existe uma diferença importante: reaproveitar conteúdo não significa simplesmente copiar.

Um artigo de blog pode transformar-se num carrossel para Instagram, numa reflexão profissional para LinkedIn, num vídeo curto, numa newsletter, numa pergunta para gerar comentários ou numa campanha paga.

A ideia pode ser a mesma, mas a forma de a comunicar deve respeitar o canal e o público.

4. Acreditar que muitos seguidores significam automaticamente bons resultados

“Precisamos de chegar aos 10 mil seguidores.”

É um objetivo frequente, mas o número de seguidores, isoladamente, diz cada vez menos sobre o verdadeiro impacto de uma estratégia.

As plataformas sociais apresentam cada vez mais conteúdos com base em interesses, comportamento e probabilidade de envolvimento, permitindo que uma publicação chegue a utilizadores que nunca seguiram aquela conta.

Isto cria oportunidades importantes para marcas pequenas, mas significa também que uma empresa pode ter milhares de seguidores e continuar a produzir conteúdos que quase ninguém considera suficientemente relevantes para parar, ler, guardar ou partilhar.

Por isso, a pergunta não deve ser apenas “quantos seguidores ganhámos?”, deve também incluir questões como “estamos a chegar às pessoas certas?”, “o conteúdo está a gerar alguma ação?” ou “quem nos segue tem interesse real no que fazemos?”

Uma comunidade pequena e relevante pode valer muito mais do que um grande número de seguidores sem qualquer relação com os objetivos da marca.

5. Pensar que vídeo curto é apenas para entretenimento

“Somos uma empresa B2B”, “o nosso conteúdo é demasiado técnico” ou “o nosso público não quer ver vídeos” são ideias que ainda afastam algumas empresas deste formato.

Mas um vídeo curto não precisa de ser uma dança, uma tendência ou um conteúdo humorístico, pode servir para explicar um conceito em 45 segundos, mostrar um procedimento, responder a uma dúvida frequente, apresentar um antes e depois ou explicar um erro comum.

Num levantamento realizado em 2026, o vídeo de formato curto foi o formato mais apontado pelos profissionais participantes como aquele que apresentava maior retorno, com 48,6%, acima do vídeo longo, transmissões em direto, conteúdos produzidos por utilizadores e artigos de blog.

Isto não significa que o vídeo substitua os restantes formatos, até porque um artigo continua a ser excelente para aprofundar uma matéria e captar pesquisas no Google, uma newsletter pode trabalhar relacionamento e um carrossel pode simplificar informação.

A questão é utilizar o formato adequado para aquilo que queremos comunicar.

6. Medir sucesso apenas por gostos, seguidores e visualizações

Uma publicação teve 25 mil visualizações.

Foi um sucesso? Talvez, mas faltam algumas perguntas: quantas pessoas visitaram o site, quantas pediram informação, quantas se inscreveram e quantas pertenciam realmente ao público que queríamos atingir?

Uma das mudanças mais importantes no Marketing Digital é a necessidade crescente de relacionar atividade com resultados concretos, sobretudo porque as empresas querem perceber melhor onde estão a investir e que retorno estão a obter.

Em 2026, 73% dos profissionais participantes num estudo internacional afirmaram que os seus orçamentos de marketing estão sujeitos a maior escrutínio do que anteriormente.

Isso torna ainda mais importante definir uma lógica simples:

Objetivo → Métrica → Resultado esperado

Se o objetivo é notoriedade, alcance e visualizações podem ser relevantes, se queremos gerar contatos, precisamos de medir leads, se queremos vender, teremos de acompanhar conversões, custo de aquisição e retorno, e se pretendemos aumentar tráfego orgânico, devemos analisar pesquisas, visitas e comportamento no site.

Uma boa métrica deve ajudar a responder:

“O que é que este número nos permite decidir?”

Caso contrário, é apenas um número bonito num relatório.

7. Fazer tudo manualmente ou deixar a IA fazer tudo

Em 2026 convivem dois extremos: num deles, equipas continuam a executar manualmente tarefas que já poderiam ser automatizadas, no outro, existe a tentação de entregar praticamente todo o processo à Inteligência Artificial.

Nenhum dos extremos é particularmente estratégico.

Atualmente, 86,4% das equipas de marketing abrangidas por um estudo global utilizam IA em pelo menos algumas áreas da atividade, desde produção de conteúdos e criação de media até otimização publicitária, tarefas administrativas, geração de ideias e planeamento.

A própria publicidade digital está cada vez mais automatizada, com ferramentas como o AI Max para campanhas de Pesquisa, que reforçam a utilização de Inteligência Artificial em áreas como segmentação, identificação de oportunidades e criação de anúncios.

Mas automatizar execução não significa automatizar estratégia.

A tecnologia pode ajudar a responder “como conseguimos fazer isto mais depressa?”, mas continua a ser necessário alguém decidir para quem estamos a comunicar, o que queremos conseguir, porque haveria alguém de escolher-nos e como vamos avaliar se funcionou.

O Marketing Digital não deixou de funcionar. Algumas formas de o fazer é que ficaram antigas.

SEO continua relevante, redes sociais continuam relevantes, E-mail Marketing continua relevante, Google Ads continua relevante, websites continuam relevantes e conteúdo continua relevante.

O que mudou foi o contexto em que todas estas ferramentas são utilizadas.

Hoje, uma estratégia de Marketing Digital precisa de conseguir ligar conteúdo, pesquisa, redes sociais, publicidade, e-mail, dados, automação e Inteligência Artificial, sem perder de vista aquilo que continua a ser essencial: perceber verdadeiramente quem queremos alcançar e porque é que essa pessoa deveria prestar atenção à nossa marca.

É precisamente por isso que, perante todas as novidades tecnológicas, talvez a pergunta mais importante continue a ser uma das mais antigas do Marketing:

“Estamos a criar valor para o público que queremos conquistar?”


E em 2026 devemos acrescentar outra:

“Estamos a fazê-lo de acordo com a forma como as pessoas pesquisam, descobrem e decidem hoje?”


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