TH_Trabalhar_calor_medidas_que_empresas_devem_adotar_cursos_SST_

Quando pensamos em calor, pensamos logo em férias, praia e descanso. Mas, para quem continua a trabalhar sob temperaturas elevadas, o calor pode representar um risco sério para a saúde e segurança. Afinal, que medidas devem as empresas adotar?

As temperaturas elevadas não causam apenas desconforto. Podem provocar fadiga, desidratação, diminuição da concentração e aumentar o risco de erros e acidentes de trabalho.

O problema não afeta apenas quem trabalha no exterior. Cozinhas, lavandarias, armazéns, oficinas, fábricas, estufas e outros locais com ventilação insuficiente ou fontes de calor também podem apresentar riscos.

Perante temperaturas elevadas, a empresa deve avaliar o risco e adaptar a organização do trabalho. Disponibilizar água é importante, mas não é suficiente.

Porque é que o calor aumenta o risco de acidente?

Quando o organismo está exposto ao calor, precisa de realizar um esforço adicional para manter a temperatura corporal. O risco aumenta quando se combinam temperaturas elevadas, humidade, exposição solar, pouco movimento do ar, esforço físico intenso e utilização de vestuário ou equipamentos de proteção.

A fadiga e a perda de concentração podem levar a decisões mais lentas, erros na utilização de máquinas, quedas, falhas de coordenação e acidentes rodoviários.

Trabalhadores mais velhos, grávidas, pessoas com doenças crónicas ou que tomem determinados medicamentos podem necessitar de cuidados adicionais. Os novos trabalhadores ou aqueles que regressam após uma ausência também podem precisar de um período de adaptação gradual ao calor.

O que devem as empresas fazer?

Avaliar o risco térmico

A avaliação não deve considerar apenas a temperatura indicada pelo termómetro.

É necessário analisar a humidade, a radiação solar ou proveniente de equipamentos, a circulação do ar, o esforço físico, a duração da exposição, o vestuário utilizado e as características individuais dos trabalhadores.

A avaliação de riscos deve ser atualizada quando as condições meteorológicas ou a organização do trabalho se alteram.

Organizar os horários e as tarefas

A ACT recomenda que as tarefas de maior exigência física sejam realizadas nos períodos mais frescos do dia.

Sempre que possível, a empresa deve antecipar ou adiar determinados trabalhos, reduzir o ritmo, alternar tarefas e limitar o tempo de exposição direta ao calor. Também pode ser necessário reforçar as equipas para evitar esforços prolongados.

Manter exatamente o mesmo horário e ritmo durante uma vaga de calor pode aumentar desnecessariamente o risco.

Criar pausas em locais frescos

As pausas devem ser realizadas em locais com sombra, boa ventilação ou climatização. A frequência e duração devem ser ajustadas à intensidade do calor e do esforço físico.

A legislação portuguesa prevê a adoção de medidas corretivas e, em situações excecionais, pausas adicionais ou redução da duração do trabalho quando existe exposição a temperaturas muito elevadas.

Garantir água e incentivar a hidratação

A empresa deve disponibilizar água potável e fresca em quantidade suficiente, num local facilmente acessível.

Os trabalhadores devem beber regularmente, antes de sentirem sede. A sede pode surgir quando já existe algum nível de desidratação.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, muito açucaradas ou com cafeína pode prejudicar a hidratação e deve ser desaconselhado.

Melhorar as condições do local

Sombras, coberturas, ventilação, climatização e barreiras contra fontes de calor podem reduzir a exposição.

Nos espaços interiores, deve confirmar-se se os sistemas de ventilação e arrefecimento funcionam corretamente. No exterior, devem ser criadas zonas de descanso protegidas do sol.

A prioridade deve ser controlar o risco através de medidas técnicas e organizacionais. O equipamento de proteção individual deve complementar estas medidas, não substituí-las.

Adequar o vestuário e os equipamentos

Sempre que a atividade o permita, deve ser utilizado vestuário leve, respirável e adequado ao trabalho, assim como proteção da cabeça e da pele em tarefas realizadas ao ar livre.

Quando é obrigatório usar equipamentos de proteção que dificultam a evaporação do suor, o tempo de exposição e as pausas devem ser revistos.

Informar e formar os trabalhadores

Os trabalhadores e as chefias devem saber reconhecer os primeiros sinais de stresse térmico e conhecer os procedimentos de emergência.

A formação deve explicar as medidas preventivas, a importância da hidratação, os sintomas de alerta, a forma de pedir ajuda e os cuidados a prestar até à chegada dos meios de emergência.

Quais são os sinais de alerta?

Dores de cabeça, sede intensa, cansaço, tonturas, náuseas, fraqueza, cãibras, transpiração excessiva e dificuldade de concentração podem indicar que o organismo está a ser afetado pelo calor.

Confusão, comportamento desorientado, perda de consciência ou temperatura corporal muito elevada podem indicar um golpe de calor, que constitui uma emergência médica.

Como agir numa emergência?

A pessoa deve ser retirada da exposição e transportada para um local fresco e arejado. Deve remover-se o excesso de roupa e iniciar o arrefecimento do corpo com panos húmidos, ventilação ou água fresca.

Se estiver consciente e conseguir beber, pode ser-lhe dada água em pequenas quantidades. Não se deve dar líquidos a uma pessoa inconsciente, muito confusa ou incapaz de engolir.

Perante sinais de golpe de calor, alteração do estado de consciência ou agravamento rápido, deve ligar-se imediatamente para o 112. A pessoa não deve ser deixada sozinha.

Conclusão

Trabalhar com calor não deve ser encarado como um desconforto inevitável do verão.

As empresas devem avaliar o risco, adaptar horários e tarefas, criar pausas, garantir hidratação, melhorar os locais de trabalho e preparar trabalhadores e chefias para reconhecer situações de emergência.

A prevenção deve começar antes da chegada de uma vaga de calor, não depois de surgir o primeiro trabalhador indisposto.

Para aprofundar conhecimentos sobre prevenção, avaliação de riscos e atuação em situações de emergência, consulte a oferta formativa da Traininghouse nas áreas de Segurança e Saúde no Trabalho e Primeiros Socorros.