5-erros-ao-utilizar-o-chatgpt-na-criacao-de-conteudos-formativos_Curso_E-formador (com novo módulo de IA)
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“Cria-me uma apresentação de 30 slides sobre liderança.”

Se é assim que está a usar o ChatGPT para preparar formação, provavelmente está a desperdiçar grande parte do potencial da ferramenta.

O ChatGPT na criação de conteúdos formativos pode ser um excelente apoio para formadores, coordenadores pedagógicos e entidades formadoras. Pode ajudar a estruturar módulos, criar exemplos, sugerir atividades, adaptar linguagem, rever textos e transformar conteúdos densos em materiais mais claros.

Mas há um ponto importante: a inteligência artificial não substitui o olhar pedagógico do formador.

A UNESCO tem defendido uma abordagem centrada no ser humano na utilização da IA generativa em educação, destacando a importância da validação pedagógica, da proteção de dados e da preparação das instituições para usar estas ferramentas de forma responsável.

Ou seja, usar IA não é apenas pedir textos. É saber orientar, validar, adaptar e decidir.


Erro 1: aceitar informação sem validar

O primeiro erro é também o mais perigoso: aceitar tudo o que a IA escreve como se estivesse automaticamente correto.

O ChatGPT pode gerar respostas úteis, mas também pode cometer erros, apresentar informação desatualizada ou escrever com muita confiança sobre algo que precisa de verificação. A própria OpenAI, no seu guia para docentes, inclui explicações sobre o funcionamento e limitações do ChatGPT, bem como temas como enviesamento e eficácia de detetores de IA.

Na criação de conteúdos formativos, isto é essencial.

Um manual, uma apresentação ou uma atividade de avaliação não pode incluir informação incorreta só porque “parecia bem escrita”. O formador deve confirmar conceitos, legislação, normas, datas, fontes e exemplos técnicos antes de disponibilizar qualquer material aos formandos.

Boa prática: use o ChatGPT para ajudar a organizar e simplificar informação, mas valide sempre o conteúdo com fontes credíveis, documentos oficiais, legislação aplicável ou bibliografia da área.


Erro 2: utilizar prompts demasiado genéricos

Pedir “faz uma formação sobre comunicação” é muito diferente de pedir:

“Cria uma atividade prática para adultos em contexto profissional, sobre comunicação assertiva, com duração de 20 minutos, objetivos de aprendizagem, instruções para o formador e critérios de avaliação.”

A qualidade da resposta depende muito da qualidade do pedido.

Quando o prompt é genérico, o resultado tende a ser superficial. Pode parecer correto, mas dificilmente fica ajustado ao público, à duração da formação, ao nível dos formandos ou aos objetivos pedagógicos.

O ChatGPT na criação de conteúdos formativos funciona melhor quando recebe contexto.

Antes de pedir conteúdo, o formador deve definir:

  • destinatários da formação;
  • objetivos de aprendizagem;
  • duração da sessão;
  • modalidade: presencial, e-learning, b-learning ou videoconferência;
  • nível de conhecimento dos formandos;
  • tipo de atividade pretendida;
  • tom e linguagem;
  • critérios de avaliação.

A IA pode ajudar muito, mas precisa de orientação. Se o pedido for vago, a resposta também será.

Boa prática: sempre que criar um prompt, inclua contexto pedagógico completo (público, objetivos, duração e tipo de atividade) para garantir respostas mais úteis e aplicáveis.


Erro 3: copiar conteúdos sem adaptar aos formandos

Outro erro comum é copiar diretamente o conteúdo gerado pela IA para slides, manuais ou atividades.

O problema não está apenas na originalidade. Está na adequação pedagógica.

Uma boa formação não depende só de conteúdos corretos. Depende da forma como esses conteúdos chegam aos formandos. Um grupo de técnicos experientes não precisa da mesma abordagem que um grupo em iniciação. Um curso e-learning assíncrono não deve ser construído da mesma forma que uma sessão presencial com debate em grupo.

Por isso, o formador deve olhar para o resultado da IA como uma base de trabalho, não como produto final.

Exemplo: o ChatGPT pode sugerir uma explicação sobre liderança. Mas cabe ao formador adaptar exemplos à realidade dos formandos, ajustar a profundidade do conteúdo, escolher exercícios adequados e garantir coerência com os objetivos da formação.

Boa prática: personalize sempre o conteúdo gerado pela IA, ajustando exemplos, linguagem e atividades ao perfil real dos formandos e ao contexto da formação.


Erro 4: deixar a IA tomar decisões pedagógicas pelo formador

A IA pode sugerir objetivos, atividades, avaliações e sequências de conteúdos. Mas não deve decidir sozinha o que faz sentido pedagogicamente.

O papel do formador continua a ser essencial: identificar necessidades, selecionar métodos, avaliar aprendizagens, acompanhar dificuldades e ajustar estratégias.

Quando o formador entrega a decisão pedagógica à IA, corre o risco de criar materiais bonitos, mas pouco eficazes.

Uma apresentação pode ter bons títulos e imagens apelativas, mas falhar no essencial: desenvolver competências reais. Um quizz pode parecer completo, mas avaliar apenas memorização. Uma atividade pode ser interessante, mas não estar alinhada com os resultados de aprendizagem.

O ChatGPT na criação de conteúdos formativos deve funcionar como assistente, não como coordenador pedagógico.

A pergunta principal deve ser sempre: “Este conteúdo ajuda mesmo o formando a aprender e aplicar?”

Boa prática: utilize a IA apenas como apoio à conceção pedagógica, garantindo que todas as decisões finais sobre objetivos, métodos e avaliação são validadas pelo formador.


Erro 5: ignorar privacidade, autoria e utilização responsável

Nem tudo deve ser colocado numa ferramenta de IA.

Dados pessoais de formandos, avaliações individuais, informações internas de empresas, documentos confidenciais ou casos reais identificáveis exigem cuidado. O Comité Europeu para a Proteção de Dados tem reforçado que a inovação em IA deve respeitar o RGPD e proteger os dados pessoais.

Além disso, o Regulamento Europeu da Inteligência Artificial inclui a literacia em IA como uma responsabilidade para quem fornece ou utiliza sistemas de IA, considerando o conhecimento, experiência, formação e contexto de utilização das pessoas envolvidas.

Na prática, isto significa que usar IA em contexto formativo exige mais do que saber escrever prompts. Exige consciência ética, proteção de dados, validação humana e transparência.

O formador deve perguntar:

  • Estou a inserir dados pessoais ou informação confidencial?
  • Tenho autorização para usar este conteúdo?
  • O material final respeita direitos de autor?
  • O formando deve saber que a IA foi usada?
  • A informação foi validada?
  • A atividade continua alinhada com os objetivos pedagógicos?

Usar IA de forma responsável também faz parte da competência profissional.

Boa prática: nunca introduza dados sensíveis na IA e assegure sempre conformidade com o RGPD, direitos de autor e princípios éticos da formação


Então, como usar bem o ChatGPT na formação?

O segredo não está em evitar a IA. Está em usá-la melhor.

O ChatGPT pode apoiar várias tarefas na criação de conteúdos formativos:

  • gerar ideias para atividades;
  • simplificar textos técnicos;
  • criar exemplos práticos;
  • adaptar linguagem ao público-alvo;
  • sugerir perguntas de reflexão;
  • estruturar planos de sessão;
  • criar casos práticos;
  • rever clareza e coerência;
  • transformar conteúdos em exercícios;
  • apoiar a criação de materiais complementares.

Mas o formador deve manter sempre três funções: orientar, validar e adaptar.

A IA acelera o processo. O formador dá sentido pedagógico.


Conclusão

O ChatGPT na criação de conteúdos formativos pode ser uma ferramenta poderosa. Mas o seu valor depende da forma como é utilizado.

Quando o formador aceita respostas sem validar, usa prompts vagos, copia conteúdos sem adaptar, entrega decisões pedagógicas à IA ou ignora questões de privacidade, a ferramenta deixa de ser uma vantagem e passa a ser um risco.

A inteligência artificial pode ajudar a criar materiais mais rápidos, variados e acessíveis. Mas continua a ser o formador que conhece os objetivos, os formandos, o contexto e a responsabilidade pedagógica da formação.

No fim, a melhor utilização do ChatGPT não é substituir o formador. É ampliar a sua capacidade de criar experiências de aprendizagem mais claras, relevantes e bem pensadas.

Para desenvolver competências nesta área, a Traininghouse disponibiliza formações ligadas à utilização da inteligência artificial, e-learning e competências pedagógicas digitais, apoiando profissionais que querem usar estas ferramentas com mais criatividade, rigor e responsabilidade.


Checklist rápida: está a usar o ChatGPT de forma responsável na formação?

Antes de usar conteúdos criados com IA, confirme:

  • A informação foi validada com fontes credíveis?
  • O conteúdo está adaptado ao perfil dos formandos?
  • Os objetivos de aprendizagem estão claros?
  • A linguagem está adequada ao nível da formação?
  • Os exemplos fazem sentido para o contexto real dos formandos?
  • A atividade promove aprendizagem ou apenas “preenche tempo”?
  • Foram evitados dados pessoais ou informação confidencial?
  • O material respeita direitos de autor e utilização responsável?
  • O formador reviu e ajustou o conteúdo final?
  • A IA foi usada como apoio, e não como substituto da decisão pedagógica?

E-formador (com novo módulo de Inteligência artificial) | 50h