Formação, prevenção e responsabilidade no trabalho em altura

A segurança é uma palavra que, na prática profissional, deve ser sinónimo de responsabilidade, antecipação de riscos e compromisso com a vida humana. Entre os vários cenários de risco existentes em contexto laboral, os trabalhos em altura destacam-se como um dos que mais acidentes graves e fatais registam todos os anos, especialmente no setor da construção civil.

E quando falamos em altura, falamos também em andaimes estruturas indispensáveis, mas que, quando mal utilizadas ou mal montadas, transformam-se em armadilhas perigosas.

Seja no estaleiro de uma obra, numa manutenção industrial ou numa simples tarefa de pintura de fachadas, a forma como um andaime é instalado, utilizado e verificado define a linha entre a segurança e a tragédia. A boa notícia é que os riscos associados aos andaimes são altamente controláveis desde que exista formação adequada, procedimentos definidos e fiscalização ativa.

Neste artigo, explicamos os 5 erros mais comuns na montagem de andaimes, detalhamos os seus riscos reais e damos orientações práticas sobre como evitar cada um deles. Se trabalha em segurança no trabalho, engenharia, fiscalização, construção ou manutenção, este conteúdo é para si.

1. Montagem sem pessoal qualificado

É muito comum encontrar obras ou intervenções técnicas em que os andaimes são montados por trabalhadores sem qualquer formação formal. Isto pode decorrer de vários fatores: falta de tempo, desconhecimento legal, tentativa de poupança, ou simplesmente uma cultura de desvalorização do risco.

No entanto, a montagem de um andaime não deve ser encarada como uma tarefa simples ou meramente mecânica. Pelo contrário, exige conhecimentos técnicos específicos que garantam a segurança e estabilidade da estrutura. É fundamental, desde logo, saber escolher os componentes adequados, tendo em conta o tipo de trabalho a realizar, a altura necessária e a carga que o andaime irá suportar.

Além disso, é necessário proceder ao dimensionamento correto da estrutura, assegurando que esta cumpre os requisitos legais e técnicos de resistência e estabilidade. Também o tipo de terreno onde o andaime será implantado deve ser cuidadosamente avaliado, uma vez que solos instáveis, irregulares ou inclinados podem comprometer toda a segurança da instalação. Por fim, é crucial definir corretamente os pontos de apoio e de fixação, garantindo que o andaime está bem ancorado e equilibrado, evitando assim qualquer risco de colapso ou deslizamento durante a sua utilização.

Risco: Montagens mal executadas comprometem a estabilidade da estrutura, podendo provocar quedas, colapsos ou inclinações perigosas, com graves consequências.

Solução: A legislação é clara: os andaimes devem ser montados, desmontados e modificados exclusivamente por trabalhadores com formação adequada.

2. Falta de verificação antes da utilização

Mesmo com uma montagem aparentemente correta, nenhum andaime deve ser utilizado sem uma verificação prévia. Esta etapa é muitas vezes ignorada, sobretudo quando há pressão para cumprir prazos e representa uma falha grave no sistema de segurança da obra.

Risco: Trabalhar num andaime sem inspecioná-lo aumenta exponencialmente a probabilidade de falhas durante o uso as consequências podem ser fatais.

A solução para este problema passa pela adoção de rotinas de verificação obrigatórias, que devem estar claramente definidas e integradas nos procedimentos de segurança da empresa. A inspeção do andaime não é uma mera formalidade: é uma medida preventiva essencial para garantir que a estrutura se mantém segura e funcional ao longo do tempo.

Estas verificações devem ser realizadas sempre que o andaime for montado pela primeira vez, mas também após qualquer modificação na sua estrutura como alterações de altura, reposicionamento de plataformas ou substituição de peças. Adicionalmente, é imperativo efetuar uma nova inspeção sempre que ocorrerem condições meteorológicas adversas, como ventos fortes, chuvas intensas ou tempestades, que possam ter comprometido a estabilidade da estrutura.

Para além destas situações específicas, é altamente recomendável que a inspeção seja feita diariamente, antes do início de cada jornada de trabalho, por um responsável designado e com formação adequada. Esta rotina simples pode fazer toda a diferença na prevenção de acidentes graves, reforçando a cultura de segurança no local de trabalho e protegendo a integridade física de todos os envolvidos.

A criação de checklists de segurança e o envolvimento de um técnico com formação na área são práticas recomendadas.

3. Uso de materiais danificados ou incompletos

Este é talvez o erro mais fácil de evitar e um dos mais recorrentes. Em muitas empresas, andaimes são reutilizados durante anos, sem qualquer manutenção ou avaliação do estado dos seus componentes. Utilizar peças partidas, ferrugentas, com soldas danificadas ou encaixes gastos é uma receita para o desastre.

Risco: O uso de peças não conformes enfraquece a estrutura como um todo, comprometendo a resistência à carga e a estabilidade em altura.

A prevenção de acidentes relacionados com andaimes começa, muitas vezes, na forma como se gere o equipamento fora do local de trabalho. Por isso, é fundamental implementar um sistema de controlo e manutenção regular de todos os componentes do andaime. Este sistema deve garantir que todas as peças são inspecionadas periodicamente, seguindo um calendário definido, de forma a detetar com antecedência qualquer sinal de desgaste, deformação ou fragilidade que possa comprometer a segurança da estrutura.

Além disso, os materiais devem ser armazenados em locais apropriados, longe da exposição direta à chuva, sol ou humidade, que aceleram a corrosão e degradam a integridade dos elementos metálicos. Mesmo os componentes que aparentam estar em bom estado devem ser substituídos ao primeiro sinal de deterioração, não devendo ser reutilizados por simples conveniência ou tentativa de poupança.

Igualmente importante é a formação dos trabalhadores, que deve abranger a capacidade de identificar, no terreno, peças danificadas ou inseguras. Quando os colaboradores sabem o que procurar e compreendem os riscos associados a falhas estruturais, tornam-se os primeiros agentes de segurança no local de trabalho.

4. Ausência de sistemas de proteção coletiva

Não basta montar a estrutura do andaime. Uma das maiores falhas é negligenciar os sistemas de proteção coletiva, como:

  • guarda-corpos (superiores, intermédios),
  • rodapés (para evitar quedas de ferramentas e materiais),
  • e acessos seguros (escadas, rampas).

Risco: Sem estes elementos, qualquer escorregão pode resultar numa queda de vários metros, com danos irreversíveis para o trabalhador.

Solução: Assegurar que todos os componentes obrigatórios estão presentes e bem instalados. Esta prática protege não só quem está sobre o andaime, mas também quem circula por baixo da estrutura.

5. Instalação em superfícies instáveis ou irregulares

O que está por baixo do andaime é tão importante quanto o que está em cima. Montar andaimes sobre superfícies inclinadas, instáveis, com resíduos ou zonas húmidas é um erro grosseiro que compromete toda a segurança da estrutura.

Quando o solo apresenta desníveis, instabilidade ou fraca capacidade de suporte, pode ocorrer afundamento de uma ou mais bases, deslizamento da estrutura ou até colapso lateral completo, colocando em perigo não só os trabalhadores que se encontram no andaime, mas também todos os que circulam nas imediações.

Para evitar este tipo de acidentes, é essencial que, antes da montagem, seja realizada uma análise cuidada das condições do solo. Este levantamento deve considerar o tipo de pavimento, a presença de inclinações, zonas húmidas, desníveis ou materiais soltos. Sempre que necessário, devem ser implementadas medidas corretivas, como nivelamento do terreno, colocação de bases estabilizadoras ou utilização de sapatas ajustáveis que garantam uma distribuição uniforme do peso.

Em situações de maior exigência ou em locais sujeitos a vibrações, vento forte ou tráfego, é igualmente aconselhável ancorar a estrutura ao edifício ou a pontos fixos, reforçando assim a sua estabilidade.

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É precisamente por todos estes riscos e responsabilidades que se torna essencial investir numa formação específica e direcionada para o trabalho com andaimes. Para dar resposta a esta necessidade, a Traininghouse disponibiliza o curso “Trabalhos em Altura – Segurança na Montagem e Desmontagem de Andaimes | 10h”, uma formação curta, mas com conteúdos fundamentais para garantir que a montagem, desmontagem e utilização de andaimes é feita de forma segura, consciente e de acordo com a legislação em vigor.

Com uma carga horária total de 10 horas, este curso foi concebido para dotar os participantes dos conhecimentos técnicos necessários para identificar os riscos mais comuns, aplicar medidas de prevenção, cumprir os requisitos legais e operar com segurança em altura. É particularmente indicado para trabalhadores da construção civil, técnicos de segurança, encarregados de obra e todos os profissionais que desempenhem tarefas com recurso a andaimes, mesmo que em contextos pontuais.

A formação é realizada em formato e-learning assíncrono, o que significa que pode ser feita ao ritmo de cada participante, sem necessidade de horários fixos, sendo ideal para conciliar com a atividade profissional. No final, é emitido um certificado pela plataforma SIGO, com reconhecimento DGERT, garantindo validade legal e utilidade prática para a progressão profissional.

Trata-se de uma formação acessível, atualizada e perfeitamente alinhada com as exigências do setor. Mais do que cumprir obrigações legais, este curso oferece as ferramentas certas para evitar acidentes e promover uma cultura de segurança real e eficaz nos locais de trabalho.

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