Quando se fala em radiações, muitos pensam em filmes de ficção científica ou em situações extremas, como acidentes nucleares. A realidade é muito diferente — as radiações estão presentes em inúmeras atividades profissionais do dia a dia.

Num mundo cada vez mais tecnológico, onde a inovação assume um papel central em praticamente todos os setores de atividade, surgem também novas exigências ao nível da segurança no trabalho. Entre os riscos mais negligenciados — mas não menos perigosos — estão as radiações ionizantes e não ionizantes. Presentes em contextos tão variados como hospitais, fábricas, estúdios de estética ou instalações elétricas, estas radiações colocam diariamente em risco milhares de profissionais, muitas vezes de forma silenciosa e invisível. O mais alarmante? Grande parte destes profissionais não tem formação específica que lhes permita compreender os perigos a que estão expostos ou aplicar medidas preventivas eficazes.

A exposição a radiações não é exclusiva de contextos laboratoriais ou médicos. Por exemplo, técnicos de manutenção e eletricistas estão entre os profissionais mais expostos a campos eletromagnéticos de alta intensidade. Ao intervirem em infraestruturas com linhas de alta tensão, quadros elétricos ou torres de telecomunicações, ficam sujeitos a radiações não ionizantes cujos efeitos são cumulativos. Sem formação, muitos desconhecem que a exposição prolongada pode provocar efeitos neurológicos, cansaço crónico, distúrbios do sono e até interferência em dispositivos médicos como pacemakers. A segurança, nestes casos, depende não só do equipamento utilizado, mas sobretudo da capacidade de avaliar o ambiente de trabalho com conhecimento técnico específico.

No setor da saúde, a exposição a radiações é muitas vezes assumida como um risco profissional natural, mas nem por isso pode ser desvalorizada. Técnicos de radiologia, auxiliares de ação médica, fisioterapeutas ou mesmo enfermeiros que circulam por zonas de imagiologia estão em contacto com fontes de radiação ionizante, como os aparelhos de raio-X e tomografia computorizada. Estas radiações penetram nos tecidos humanos e, com o tempo, podem provocar mutações celulares, lesões genéticas e doenças oncológicas. Além disso, a utilização de luzes UV para desinfeção ou terapia — uma radiação não ionizante — também pode causar lesões na pele e nos olhos se os protocolos de segurança forem ignorados. É importante sublinhar que a familiaridade com os equipamentos não substitui o conhecimento técnico necessário para um uso seguro.

A indústria metalúrgica, da soldadura e da construção civil representa outro cenário de risco frequentemente subestimado. Nestes ambientes, o uso de equipamentos como máquinas de soldadura elétrica, cortadores de plasma ou fornos industriais expõe os trabalhadores a radiações intensas — muitas vezes visíveis, como os clarões da solda, mas cujos efeitos vão muito além do que o olho humano pode perceber. A chamada “vista de arco”, uma lesão ocular aguda causada pela exposição à radiação UV durante a soldadura, é apenas um exemplo das consequências reais da falta de proteção adequada. Ainda assim, continuam a ser comuns os casos de utilização de óculos inadequados ou ausentes, muitas vezes por desconhecimento técnico ou ausência de formação.

No domínio das telecomunicações e da tecnologia da informação, as radiações estão por todo o lado: routers, servidores, antenas 5G, rádios, micro-ondas industriais. Profissionais que instalam, reparam ou fazem manutenção destes equipamentos estão regularmente em contacto com campos eletromagnéticos de elevada frequência. Embora as radiações de radiofrequência sejam não ionizantes e, por isso, menos agressivas que as ionizantes, os seus efeitos térmicos e fisiológicos já são bem documentados. Mais do que isso, há uma crescente preocupação científica com os efeitos de longa duração, especialmente em profissionais que acumulam várias horas semanais de exposição sem equipamentos de monitorização ou protocolos de segurança claros. Ter formação significa estar preparado não apenas para proteger-se, mas também para justificar decisões técnicas perante uma fiscalização ou auditoria.

Nem o setor da estética escapa a este cenário. O avanço tecnológico trouxe para os salões e clínicas de beleza uma série de aparelhos que operam com radiações: lasers para depilação definitiva, luz pulsada intensa (IPL), dispositivos de radiofrequência para rejuvenescimento facial, lâmpadas de fototerapia e até máquinas de cavitação. Estas ferramentas, embora associadas ao bem-estar e à melhoria estética, operam com radiações que, quando mal geridas, podem ser lesivas. O mais preocupante é que muitos profissionais na área da estética utilizam estes equipamentos sem qualquer formação certificada em segurança e radiações. As consequências vão desde lesões dérmicas, queimaduras de segundo grau, até danos oculares irreversíveis, para não falar da responsabilidade legal e ética perante os clientes.

Perante este cenário, é urgente promover a consciencialização para os riscos e, acima de tudo, para a importância da formação qualificada. Não basta saber ligar ou operar um aparelho: é necessário entender os riscos associados, saber interpretar manuais técnicos, conhecer os limites de exposição, utilizar Equipamentos de Proteção Individual adequados e implementar medidas coletivas eficazes. Mais do que uma obrigação legal, é uma responsabilidade social e profissional.

A pensar nestes profissionais, a Traininghouse criou o curso “Segurança no Trabalho com Radiações Ionizantes e Não Ionizantes | 30h”, um programa completo, acessível e certificado, desenvolvido especificamente para dar resposta às necessidades do mercado. A formação decorre em formato e-learning assíncrono, o que permite ao formando adaptar o estudo ao seu ritmo e à sua disponibilidade. O curso é certificado pela DGERT, com emissão de certificado através da plataforma SIGO, o que assegura a sua validade a nível nacional.

Ao longo das 30 horas de formação, os participantes aprendem a distinguir entre os diferentes tipos de radiação, a identificar fontes e níveis de exposição, a aplicar os princípios da proteção radiológica e a implementar medidas de segurança de acordo com a legislação em vigor. Além disso, o curso aborda casos práticos, simulações e orientações sobre equipamentos, sinalização e boas práticas em ambiente profissional. Trata-se de uma formação imprescindível para técnicos de segurança no trabalho, profissionais de saúde, operadores industriais, técnicos de manutenção, profissionais da estética e tantos outros cuja atividade envolve contacto direto ou indireto com radiações.

Em suma, vivemos rodeados de tecnologias que, apesar de facilitarem a nossa vida, implicam riscos muito reais se não forem utilizadas com conhecimento e responsabilidade. Investir em formação nesta área não é um custo — é uma decisão inteligente e preventiva, que protege vidas, reduz acidentes, evita processos judiciais e valoriza qualquer currículo profissional. Quando falamos de radiações, a ignorância nunca será uma desculpa aceitável. E a boa notícia é que a solução está à distância de um clique.

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