Curso_ISO9001:2026: Transição_TH

ISO 9001:2026 já está mais perto. O que devem fazer as empresas desde já?

A revisão da ISO 9001 já está em curso e deixou de ser um tema distante para passar a ser uma prioridade real para muitas organizações. A ISO mantém a publicação da nova edição apontada para setembro de 2026 e, à data de 15 de abril de 2026, o projeto já surgia com o estado “DIS approved for registration as FDIS”, ou seja, já passou a fase de aprovação do Draft International Standard e avançou para a etapa seguinte do processo.

O que já está confirmado:

Também já se sabe que, em dezembro de 2025, o comité técnico responsável pela revisão comunicou que o rascunho tinha sido aprovado com 97% de aprovação. Depois, em 12 de fevereiro de 2026, informou que já existia consenso técnico para as cláusulas 1 a 10, ficando o trabalho concentrado na finalização da Introdução e do Anexo A. Isto confirma que a revisão está bastante avançada, embora o texto final ainda não esteja publicado.

O que isto significa para as empresas certificadas?

Para as organizações certificadas pela ISO 9001:2015, a mensagem é simples: ainda não é tempo de refazer tudo, mas já é tempo de começar a preparar a transição. A própria ISO esclarece que haverá um período de transição para migrar o sistema de gestão da qualidade para a nova edição. O que ainda não foi anunciado publicamente é a duração exata desse período.

A alteração climática já está em vigor:

Há uma mudança que já não pertence ao futuro, mas ao presente: a Emenda 1:2024, publicada em fevereiro de 2024. Esta alteração introduziu na ISO 9001:2015 a exigência de a organização determinar se as alterações climáticas são uma questão relevante no seu contexto, e acrescentou também a nota de que as partes interessadas relevantes podem ter requisitos relacionados com o clima.

Aqui importa esclarecer um ponto importante: esta emenda não obriga automaticamente a organização a desenvolver um programa climático ou novas ações ambientais. O que obriga é a considerar o tema e a demonstrar, se for o caso, como ele é relevante para o sistema de gestão da qualidade. A orientação ISO refere mesmo que algumas organizações poderão concluir, de forma fundamentada, que as alterações climáticas não são uma questão relevante para o seu SGQ. Esta alteração já está em vigor na ISO 9001:2015 e deverá ficar integrada na futura edição revista.

O que o rascunho aponta para 2026:

Os sinais mais consistentes sobre a futura ISO 9001:2026 apontam para uma revisão evolutiva, e não para uma rutura com a versão de 2015. Segundo o BSI Group, o rascunho reforça temas como cultura da qualidade, comportamento ético, melhor utilização de dados e ferramentas digitais, maior clareza na distinção entre riscos e oportunidades e uma ligação mais forte entre o SGQ e o contexto atual das organizações. O mesmo resumo indica ainda que, na parte operacional, não se espera uma revolução, mas sim ajustes de linguagem e maior foco na eficácia da gestão. A mesma fonte sublinha, no entanto, que estas mudanças ainda pertencem ao texto em rascunho e podem sofrer ajustes até à publicação final.

Liderança e awareness deverão ganhar mais peso

Entre os aspetos mais relevantes do rascunho está o reforço da responsabilidade da gestão de topo. O BSI Group refere que cultura da qualidade e comportamento ético passam a surgir de forma mais explícita, tanto ao nível da liderança como da consciencialização das pessoas. Na prática, isto pode significar que as empresas terão de demonstrar melhor como estes princípios se refletem nas decisões, na comunicação, na formação e no comportamento diário da organização.

Também a consciencialização das pessoas deverá ganhar novo peso. Segundo o resumo do rascunho, os requisitos de awareness passam a incluir explicitamente a cultura da qualidade e o comportamento ético. Isto sugere que não bastará ter colaboradores informados sobre a política e os objetivos da qualidade; será cada vez mais importante garantir que compreendem como esses princípios se traduzem no trabalho diário, na relação com clientes, no controlo de processos e na forma como reagem a falhas ou desvios.

Outra área com potencial impacto é o planeamento, sobretudo na forma como o rascunho separa de modo mais claro o tratamento de riscos e oportunidades. Esta clarificação pode ser particularmente útil para empresas que, desde 2015, ainda tratam o pensamento baseado no risco mais como formalidade documental do que como ferramenta de gestão. Ao mesmo tempo, o BSI Group assinala que, nas cláusulas de avaliação do desempenho e de operação, não se espera uma revolução: os requisitos nucleares mantêm-se, embora com ajustes de terminologia, maior clareza e uma ênfase mais forte na utilização dos dados para apoiar decisões e melhoria contínua.

Como começar a preparar a transição?

A preparação mais inteligente não é reescrever o sistema de gestão da qualidade de raiz. É fazer uma revisão criteriosa do que já existe. Vale a pena começar por rever a análise de contexto, verificar se a questão climática está adequadamente considerada, avaliar se os riscos e oportunidades estão realmente ligados à tomada de decisão e reforçar evidências de liderança, cultura da qualidade, formação e auditorias internas. Esta abordagem é coerente com a orientação da ISO sobre a futura transição e com o sentido das alterações já visíveis no rascunho.

Em resumo

Tudo indica que a ISO 9001:2026 será uma atualização relevante, mas não uma rutura com a versão atual. O que hoje se antecipa é um sistema de gestão da qualidade mais atento ao contexto, mais claro na separação entre riscos e oportunidades, mais explícito na liderança, na ética e na cultura da qualidade, e já com a questão climática integrada de forma formal. Para as empresas que começarem já a preparar-se, a transição deverá ser mais organizada, mais útil e menos centrada numa corrida de última hora à documentação.


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