Sabia que a exposição ao radão é a segunda principal causa de cancro do pulmão?
Quando falamos em riscos para a saúde respiratória, o cigarro é, naturalmente, o primeiro a ser lembrado e com razão. É um fator de risco amplamente conhecido, com campanhas de sensibilização em todo o mundo. No entanto, existe um inimigo mais discreto, menos falado e igualmente perigoso, que continua a passar despercebido à maioria das pessoas: o radão.
Trata-se de um gás radioativo natural, sem cor, sem cheiro e sem sabor, que se liberta do subsolo e pode acumular-se no interior de edifícios especialmente em caves, rés-do-chão e espaços pouco ventilados. Embora seja invisível aos sentidos humanos, os seus efeitos na saúde são muito reais.
O que muitos desconhecem é que o radão ocupa hoje o segundo lugar entre as principais causas de cancro do pulmão, logo a seguir ao tabaco. E entre os não fumadores, é mesmo considerado o principal fator de risco.
Ignorar a presença do radão não é apenas uma questão de desconhecimento é um risco evitável. E por isso, conhecer, medir e controlar este gás é uma questão urgente de saúde pública.
O que é o Radão?
O radão é um gás radioativo natural que se forma a partir da decomposição do urânio presente em rochas, solos e águas subterrâneas. Esse processo acontece de forma invisível e constante em diversas regiões geológicas incluindo várias zonas de Portugal.
O problema começa quando o radão, libertado do solo, se infiltra em edifícios através de fissuras, juntas, fundações, canalizações ou outros pontos de contacto com o solo. Caves, garagens, rés-do-chão e espaços mal ventilados são os locais onde mais se acumula.
Como é incolor, inodoro e insípido, o radão não é detetável pelos sentidos humanos. E é precisamente isso que o torna tão perigoso: pode estar presente em concentrações elevadas sem que ninguém saiba.
Onde o radão representa risco?
O radão pode acumular-se em qualquer tipo de construção seja residencial, escolar, hospitalar, industrial ou institucional. Por isso, é fundamental realizar medições periódicas e implementar medidas de ventilação e mitigação, especialmente em zonas com solos graníticos, como é o caso de partes do Norte e Centro de Portugal.

Radão e Saúde: Um Risco Invisível, mas Real
Embora não possamos vê-lo, cheirá-lo ou senti-lo, o radão é uma das ameaças silenciosas mais graves para a saúde pública e ainda assim continua a ser um dos perigos mais ignorados, mesmo entre profissionais de áreas técnicas e científicas.
A exposição prolongada ao radão aumenta de forma significativa o risco de desenvolver cancro do pulmão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), este gás é responsável por milhares de mortes por ano e ocupa o segundo lugar como principal causa de cancro pulmonar, a seguir ao tabagismo.
– Entre não fumadores, o radão é a principal causa conhecida da doença.
Isto significa que mesmo pessoas sem hábitos de risco evidentes podem estar em perigo, apenas por viverem ou trabalharem em edifícios com níveis elevados de radão acumulado.
Portugal está em zona de risco?🗺️
Sim.
Portugal tem diversas regiões com solos graníticos, especialmente nas zonas do Norte e Centro do país, que favorecem a libertação natural de radão. O risco é mais elevado em áreas onde:
- Há edifícios com contacto direto com o solo
- As estruturas são antigas ou mal isoladas
- Existe falta de ventilação
- Não há histórico de medição de radão
Caves, garagens, escolas, creches, hospitais, cozinhas industriais e escritórios — todos estes espaços podem, sem que ninguém se aperceba, estar a expor os seus ocupantes a níveis perigosos de radão ao longo de anos.
E o que diz a legislação?
O reconhecimento do radão como um risco para a saúde não é apenas científico é também legal.
A Diretiva Europeia 2013/59/Euratom, transposta para a legislação portuguesa, estabelece limites de exposição e obrigações claras para Estados-Membros, empregadores e gestores de edifícios.
Esta legislação exige:
- A monitorização dos níveis de radão em ambientes interiores
- A implementação de medidas corretivas, caso os valores ultrapassem os limites de referência
- A proteção de trabalhadores e utentes, sobretudo em locais onde se passa muito tempo (como escolas ou unidades de saúde)
Isto significa que empresas, instituições públicas, gestores de edifícios e técnicos de segurança têm responsabilidades legais na deteção e mitigação do radão. Ignorar este risco pode representar não só uma falha de segurança, mas também não conformidade legal.
E agora? É preciso agir.
Com o conhecimento e as ferramentas certas, é possível:
- Medir os níveis de radão com precisão
- Avaliar o risco e identificar fontes de infiltração
- Aplicar medidas de mitigação simples, como ventilação forçada ou selagem de fissuras
- Reduzir drasticamente o risco para a saúde e garantir o cumprimento legal
A formação na área é essencial tanto para proteger vidas como para capacitar profissionais a atuar com responsabilidade.
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